Hoje apeteceu-me regressar aos meus tempos de escola, sentir o conforto do que outrora foi uma vida despreocupada e colorida, mas não me atrevi a sair sem tentar levar-vos comigo, nesta espécie de viagem à infância.
Quem não se lembra dos lápis de carvão da Viarco, alguns que passavam de gerações em gerações, desde os padrões de animais, às fábulas e à tabuada, (que admito muito me me ajudou - D.Luísa, o mérito era do lápis, nem sempre foi meu - risos).
A verdade é que quem frequentou a escola primária, ainda que maioritariamente nos 60 e 70, é muito natural que desde a primeira classe tivesse como companhia os lápis da Viarco, uma marca bem portuguesa, rica em momentos, rica em história.
Tive a sorte que se protelasse pelos meus tempos de tirocínio, e apesar de ter nascido bem mais tarde, ainda fui brindado com aquele conjunto de lápis, um deles até do meu bisavó materno.
Sediada em S. João da Madeira, é a única fábrica deste ramo da Península Ibérica e produz, (pasmem-se), cerca de 6,5 milhões de lápis por ano (Parabéns).
Conscientes de que 'parar é morrer', (e nesta fase mais do que nunca), conseguiram promover um processo de modernização, o que permitiu chegar a novos segmentos de mercado, e foram felizes, sem dúvida, neste processo que aliou a tradição e a inovação.
Uma espécie de reinvenção de novos e arriscados caminhos, não apenas para darem a volta por cima, mas para assegurarem o sucesso de um projecto.
Parei, faz frio, fui beber um chá, e enquanto isso dei comigo a rasurar um bloco de folhas...
Assumo que já fui bom a desenho, quis o passar do tempo que descurasse esta arte, mas ainda guardo, (sim, ainda guardo), parte dos lápis que usava nos meus tempos de escola...
Acho que nem o passar dos tempos, e o investimento das novas tecnologias em tentar que os mais novos desenhassem naquela espécie de livro de colorir digital, conseguiram desvirtuar a tradição do lápis, com, ou sem cor.
Aliás, ainda há bem pouco tempo, em casa da minha amiga Ana, assisti a uma obra, do artista Gabriel, o filho de três anos, no ecrã do que outrora teria sido um televisor e a verdade é que deixou de ser um aparelho tão 'preto', para ficar bem mais ao estilo de uma espécie de pop art, de Andy Warhol (acho que só os teus pais não pensaram assim, risos).
E de facto é vê-lo sorrir, de cada vez que as cores do lápis ganham vida, e as folhas imaculadas aquela espécie de carimbo personalizado.
'Não sei em relação a vocês, mas eu garantidamente preservo nostálgicas recordações dos clássicos lápis de cor da Viarco e das suas belas caixas, que tanto coloriram e a alegraram os meus dias de aventuras ♥'
(Artigo publicado na revista Almanaque do Baú - Edição de Fevereiro de 2012)
(1ª, 2ª e 4ª Fotografia, autoria de Vanessa Éffe © Casa Ruim)
(3ª Fotografia, autoria de respigadores)











