Hoje não me apetece escrever sobre nada, e ao mesmo tempo, escrever sobre tudo, por mais confuso que isso possa parecer.
Acho que é a forma que encontro, de poder continuar a gritar e a berrar, sem que isso implique um aumento no volume da voz.
Este último ano está longe de ter sido fácil ...
E se existe quem dê voltas de gozo pelo mau alheio, sem rodeios, tenho que vos dizer, não me importo.
Sempre achei que é preciso ter muito mais coragem para assumir que estamos mal que para disfarçar um sorriso.
Há quem diga que a vida tem um equilíbrio (nem tudo é mau) mas postas as coisas em cima da mesa, desconfio que a inclinação do meu destino parece ter só uma medida: a negativa.
Perder as minhas avós em menos de um ano (por mais que me tentem dizer que ganhei uma estrela no céu, ou que é a lei da vida) é uma das minhas atormentações.
Não, não fico com o coração menos apartado por saber que 'algum dia tinha que ser' ... vivi sempre a fingir que não sabia disso.
Não, não fico com o coração menos apartado por saber que 'algum dia tinha que ser' ... vivi sempre a fingir que não sabia disso.
Aliás, acho que há muitas mais pessoas, efetivamemte más, que deveriam ocupar esses lugares primeiro; onde está a justiça divina nestes casos?
O meu internamento (que já não é segredo para ninguém, deixemos-nos de rodeios) a minha continuada prolongação de baixa (já lá vão quase seis meses), como se espera alguma vontade de 'acordar'?
Comportamentos tão maus como falta de vontade, preguiça continuada, instabilidade e irascividade descontrolada contra tudo e todos ...
Pessoas que achamos que faziam parte da nossa vida (e não faziam) pessoas que não percebemos que faziam (mas fazem) ...
Não escondo, que algumas das pessoas que perdi, contribuíram largamente para a minha estabilidade emocional, mas existem outras tantas que deixam uma saudade de um 'por favor, peço-te que voltes ...'
Poderei eu, nesta fase descontrolada, ser avaliado pelos meus actos?
Poderei eu ser castigado pelas decisões impulsivas e irracionais que tomo?
Deixar que a auto estima desça tão baixo que me sinto tão ou mais pequeno que um ervilha e eu pergunto, vale mesmo a pena, continuar a disfarçar o sorriso?
No fundo ... Eu só queria poder voltar a ser eu!
FranciscoVilhena









